O município de Minas Novas está localizado na região do Alto Jequitinhonha, com paisagem bastante diversa, dividida em áreas de mata, regiões mais altas e frescas, e áreas de caatinga, e campos adequados à criação de gado. A ocupação dessa região se deu principalmente pela exploração de recursos minerais, como ouro, diamantes e outras pedras preciosas. A descoberta de ouro motivou expedições ao local, e foi em 1727 que um grupo liderado por Sebastião Leme do Prado encontrou ouro em um afluente do rio Fanado, que passou a se chamar rio Bom Sucesso. Ali surgiu o arraial de São Pedro do Fanado, que cresceu rapidamente e foi elevado à categoria de vila em 2 de outubro de 1730, recebendo o nome de “Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuaí”.
A Igreja de Nossa Senhora do Amparo da antiga ‘Vila do Fanado’ foi construída pela Irmandade dos Homens Pardos na segunda metade do século XVIII, período de grande atividade das irmandades religiosas em Minas Gerais. Embora não haja documentos precisos sobre sua construção, sua antiguidade é confirmada por autores do início do século XIX, como Aires do Casal, que a mencionou na Corografia Brasílica de 1817, e Pizarro e Araújo, nas Memórias Históricas por volta de 1820.
A arquitetura da igreja segue o estilo tradicional das matrizes mineiras da primeira metade do século XVIII, possuindo planta quadrangular, corredores-sacristias ao longo das laterais, torres quadradas com telhados de quatro águas, empena lisa com óculo, porta almofadada e quatro janelas com balaústres de madeira recortada.

Em termos de ornamentação, a capela-mor é a parte mais elaborada do edifício, preservando diversos elementos originais. Nela encontram-se o altar-mor, cujo retábulo, em talha rococó de boa qualidade e características regionais, é composto por pilastras, quartelões, dois nichos laterais com dosséis e um coroamento com guirlandas de flores pintadas. As imagens são em madeira policromada, sendo elas de Nossda Senhora do Ampar, São Sebastião e Santa Bárbara.
Abaixo, porta do sacrário com o Cordeiro, a Cruz e ramos de videira.
A pintura do forro da capela-mor retrata Nossa Senhora do Amparo com o Menino Jesus, segurando flores e pisando sobre nuvens. A imagem está inscrita em um medalhão central, com a data de 1834 claramente visível e acompanhada da expressão latina Refugium peccatorum, que significa “refúgio dos pecadores”.
A igreja passou por várias reformas ao longo do tempo. Um relatório de 1854 do vigário local solicitava apoio para “impedir a ruína” da capela de Nossa Senhora do Amparo. Esse pedido resultou em recursos da lei provincial nº 869, de 5 de junho de 1858, e a nomeação de uma comissão para supervisionar as obras em 1860. Em meados do século XX, o IPHAN promoveu restaurações importantes em 1956/1957 e 1962/1963, incluindo consertos no telhado, cobertura da torre, reconstrução de parede lateral e pintura externa. No entanto, o templo sofreu reformas que alteraram significativamente sua aparência original. A principal modificação foi a ampliação do espaço interno pela incorporação dos corredores-sacristias à nave, o que levou à demolição das paredes divisórias e à elevação do telhado desses corredores, comprometendo a harmonia externa do edifício. Outra perda importante foi a destruição do forro da nave, que eliminou de forma definitiva as antigas pinturas decorativas ali existentes.
As igrejas construídas pelas irmandades de leigos, como a dos Homens Pardos, demonstram não só a religiosidade popular, mas também o papel ativo dessas confrarias na edificação e manutenção do espaço urbano e espiritual nas vilas mineradoras do século XVIII.
REFERÊNCIA:
– Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Diamante III: Minas Novas e área adjacente. Coord. Affonso Ávila. Minas Gerais, Fundação João Pinheiro




