Matriz de Nossa Senhora de Nazaré – Santa Rita Durão, Mariana, Minas Gerais

Santa Rita Durão é um antigo distrito pertencente a Mariana, situado próximo à Serra do Caraça. Inicialmente, chamava-se Inficionado – segundo narra Auguste de Saint-Hilaire, esse nome fora dado porque o ouro que ali se encontrava era deteriorado, não sendo de tão bom quilate quanto inicialmente se pensava. Foi nos arredores desse local que, em 1722, nasceu o Frei José de Santa Rita Durão, conhecido pelo seu poema épico “Caramuru”. Em homenagem a ele, o nome do local foi alterado.

Segundo o Cônego Raimundo Trindade, a matriz da Freguesia de Nossa Senhora de Nazareth do Inficionado foi construída inicialmente pelo sargento-mor Paulo Rodrigues, e recebeu a benção inaugural em 28 de maio de 1729.

Sua estrutura é em madeira, adobe e taipa, com sete altares policromados, e forro em formato de abóbada de berço.

Consta que, entre 1766 e 1794, o artífice Domingos Francisco Teixeira realizou diversas obras de melhoria e embelezamento da igreja e da capela-mor, a pedido e às expensas da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Segundo German Bazin, o altar mor e os dois altares do cruzeiro, de execução rústica, e seguem o estilo Dom João V.

Uma peculiaridade dessa igreja é a configuração de sua nave central, com arcadas e tribunas próximas à entrada
A pintura do teto, em perspectiva ilusionista, representa, no centro, o milagre de Nazaré, ocorrido em Portugal, no ano 1182: o cavaleiro cristão Dom Fuas Roupinho é protegido pela Virgem à beira do penhasco, enquanto o animal caçado cai no abismo. Nas extremidades do teto, os apóstolos São Pedro, com as chaves pontifícias (arco-cruzeiro) e São Paulo, com a espada (coro), e, nas laterais, as figuras do dominicano São Tomás de Aquino e do franciscano São Boaventura. Nos quatro cantos estão os quatro grandes doutores da Igreja. Esta pintura é atribuída a João Batista de Figueiredo, pintor dos mais conceituados nas Minas Gerais do século XVIII e reconhecido, hoje, como um dos mais importantes daquele período. 

REFERÊNCIAS:

– BAZIN, German, L’Arquitecture Religieuse Baroque au Brésil, Tome II, Paris: Librairie Plon, 1958

– Saint-Hilaire, Auguste de, Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais; tradução de Vivaldi Moreira. Belo Horizonte, Editora Itatiaia, 2000.

IPHAN

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